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Por Higor César Ferreira 14/09/2026 20 visualizações

Festa da Pedreira de São Sebastião mantém viva tradição do “Santo Fujão” no Município de Goiás

Romaria reúne devotos no primeiro domingo de setembro e preserva uma das histórias religiosas mais curiosas da antiga Vila Boa

O Município de Goiás voltou a viver, neste domingo, 6 de setembro de 2026, uma de suas tradicionais manifestações de fé e cultura popular: a Festa da Pedreira de São Sebastião.

Realizada tradicionalmente no primeiro domingo do mês de setembro, a celebração reúne devotos em uma área de pedreira localizada na zona rural do município de Goiás, onde uma antiga tradição religiosa relaciona o local ao desaparecimento e ao reaparecimento da imagem de São Sebastião.

O calendário turístico de Goiás registra oficialmente a Festa da Pedreira de São Sebastião no primeiro domingo de setembro, reforçando a importância da celebração no calendário cultural e religioso do município.

A história do “Santo Fujão”

De acordo com a tradição contada pelos moradores e devotos, a história da festa começou com uma imagem de São Sebastião que ficava na antiga Igreja do Ouro Fino. Segundo o relato de Gabriel Souza, um dos organizadores da festa, em determinado momento a imagem desapareceu da igreja. Os moradores saíram à procura do santo e acabaram encontrando a imagem na região da pedreira. A imagem foi levada novamente para a igreja. Porém, posteriormente, teria desaparecido outra vez e, mais uma vez, foi encontrada na pedreira.

O episódio teria se repetido algumas vezes. Diante da tradição de que a imagem sempre voltava para o mesmo lugar, os devotos passaram a acreditar que aquela seria a vontade do próprio santo. Foi assim que São Sebastião ganhou o curioso apelido de “Santo Fujão”.

A história também é registrada em pesquisas sobre a tradição da Pedreira de São Sebastião. Um estudo publicado pelo Mapa Goiano da Cultura descreve a festa como uma manifestação de religiosidade popular ligada à devoção ao santo e ao chamado “Santo Fujão”.

Uma tradição passada de geração em geração

Durante entrevista ao Portal Higor Jornalista, Gabriel Souza contou que seu avô esteve entre as pessoas envolvidas nas antigas buscas pela imagem de São Sebastião.

“Meu avô foi um dos que estavam nessa procura da imagem”, relatou.

Hoje, mesmo com parte da família vivendo fora da cidade, a tradição continua sendo mantida pelas novas gerações.

Para Gabriel, os organizadores são apenas uma parte de uma mobilização muito maior. Segundo ele, a realização da festa depende da colaboração dos próprios devotos e moradores. “A gente é só a ponta da lança, mas vem todo mundo para ajudar”, explicou.

Festa acontece no primeiro domingo de setembro

A tradição estabelece que a grande celebração aconteça sempre no primeiro domingo de setembro. Por isso, a data muda a cada ano conforme o calendário. Em 2026, o primeiro domingo de setembro caiu no dia 6, quando a comunidade voltou a se reunir na Pedreira de São Sebastião.

Registros históricos e turísticos anteriores também apontam a festa como uma celebração tradicional do mês de setembro. Uma publicação do Governo de Goiás inclui o evento entre as manifestações do município, enquanto pesquisas sobre a festa destacam sua importância para a comunidade vilaboense.

Programação religiosa

A programação da festa envolve diferentes momentos de religiosidade popular, a celebração reúne moradores, devotos e pessoas que se deslocam até o local especialmente para participar da festa.

No sábado que antecede a grande celebração, tradicionalmente são realizados momentos de oração, incluindo o terço, além do levantamento do mastro e do acendimento da fogueira. No domingo acontece a principal celebração religiosa, neste ano, 6 de setembro, a Santa Missa foi celebrada às 10 horas da manhã.

Uma manifestação que mistura fé, memória e cultura popular

A história da Pedreira de São Sebastião também está relacionada ao antigo Arraial do Ouro Fino, importante referência histórica do período do ciclo do ouro em Goiás. Pesquisa realizada pela professora Lucinete Aparecida de Morais, entre 2008 e 2020, aponta que a tradição da festa não possui uma data precisa de origem. A pesquisadora relaciona a narrativa ao período em que a antiga Igreja de Nossa Senhora do Pilar ainda existia no Ouro Fino. A igreja teria ruído em 1940.

Por isso, a história da Pedreira de São Sebastião é preservada principalmente pela memória oral, transmitida entre famílias e devotos.

Higor César- Texto e fotos

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